Um dever a ser cumprido

É angustioso só em pensar que apesar da obrigatoriedade ser a voz da minha consciência, a situação tende a se repetir agora impregnada de sentimentos misturados e diferentes.

A revolta cede o lugar a tristeza, não por ter que enfrentar mais uma tempestade, nem atravessar um deserto escaldante, não... mas por sentir e ver que mais uma vez, o meu veleiro no porto seguro de minhas emoções,  esteja contido pela âncora do medo e da gratidão.

O meu peito se enche em um primeiro momento procurando o ar do clamor, do grito, do choro, ao mesmo tempo em que busco palavras perdidas atribuladas nos meus pensamentos que vão se misturando, mas quando a alma ajoelha-se diante do tempo vivido, me faz levantar mais sabiamente amparada pela vontade de superar os limites do meu corpo, retomando a missão em que me foi confiada, mesmo sabendo que o que há de vir e fazer são deveres a ser cumpridos.
Sinto medo pelo meu futuro.

E pensar que Eu rascunhei minha vida no papel do tempo sem saber se ele me deixaria passar a limpo.
Ah! O veleiro... Com certeza vai estar lá e vai criar asas ao longo do tempo de espera, para velejarmos juntos no céu quando disser e quiser. É agora....

Vou estar pronta.

Escudos do tempo


Atrás de cada parede se esconde tudo aquilo que NÃO QUER ser encontrado... visto, ou tudo aquilo que PRECISA SER buscado... Revelado.

Atrás de cada parede se escondem, Segredos... Histórias... Verdades... Sentimentos... Mistérios,  sempre lá ocupando espaços, infiltrando-se nas frestas formadas pelo tempo, transformadas em cativeiros, senzalas, ou abrigos.

Alguns deles estão esperando que a qualquer momento sejam resgatados e libertados  pela razão ou pela verdade.
E sem se dar conta que nas suas inquietudes, se deixam levar pelas mãos da inconsequência e sob olhares dos seus algozes e ou protetores vão sendo lançados aos ventos da indignação ou das suas próprias agonias.

Outros se misturam entre medos, receios esvaindo-se pelos corredores da alma para passarem despercebidos e cair no abismo do esquecimento.

Atrás de cada parede se divide em escudos do tempo, a vida e a morte.

Os conflitos do tempo


A vida que eu escolhi está me consumindo.
O tempo está consumindo a vida que eu escolhi.
Juntos eles consumiram o meu passado,
deixando um rastro de lembranças que se escondem nos portões da minha alma, atreladas as ilusões da espera por dias presentes. 
Quando pensamos com os olhos somos uma presa fácil de enganar.
Somos  o que vemos.... Vemos o que pensamos  e esperamos. 
E eu esperei... Esperei...

O presente está sendo consumido pela vida que eu escolhi, tendo como companheiro inseparável, o tempo marcante, amarrado a expectativa de mudanças, uma sobrevivente esperançosa que insistentemente  coloca-se ao meu alcance na tentativa de resgatar o meu eu escondido no emaranhado do meu ser. 
As pegadas deixadas pelos caminhos mostram por onde estivemos... 
a vida, o tempo e eu... fazendo histórias e a direção que tomaremos em busca de um futuro onde nós...o tempo, a vida e eu seremos consumidos até que sejamos passado.

Buscando minhas raízes.