Um dia abençoado

A festa começou cedo.
O tempo por aqui está chuvoso.
É uma frente fria... é o que dizem.

Apesar do frio gostoso,  deixo o leito quente e aconchegante para agradecer aos passarinhos a recepção de um novo dia.
Para eles não tem tempo ruim.

Cantam e dançam nos galhos dos arvoredos alegrando a natureza.
Os sons diversificados preenchem todo o lugar e com ajuda da brisa matinal propaga-se para mais distante, dando vida a tudo que nos rodeia e em retribuição a natureza abre-se a visitação colorindo o espaço.

O repórter, o fofoqueiro bem-te-vi que diz que tudo vê....sempre majestoso, canta mais alto espalhando a notícia da minha presença em contemplação plena.

- bemtivi... bemtivi... bemtivi........
Fecho os olhos por instantes e consigo viajar por entre as notas musicais em perfeita harmonia.
E em meio á supremacia do momento, contrariando a natureza, o sol acorda, meio entre nuvens cinzentas, também participa de mais um amanhecer, e seguindo os seus tímidos raios, o amado girassol que enfeita a minha varanda.
Contando e cantando mais uma bênção

Momento de saudade

Estava de volta para casa e faz parte desse percurso o local onde nasci. Não é muito distante de onde agora me encontro. Dá para ir á pé... Caminhando devagarzinho... devagarinho...olhando a paisagem ao redor, pois se trata de um lugar muito bonito próximo á beira mar.
Sempre passo pelas proximidades nas minhas caminhadas diárias, com a emoção e as lembranças me fazendo companhia.  
Nunca me perguntei se tinha vontade ou coragem de voltar lá.
E olha que já passou algum tempo. Quando saí de lá estava com 18 anos.

Parei e disfarçadamente olhei para não chamar muito atenção dos que ali estavam crianças jogando bola, alguns adultos nas portas de casa, mas alguma coisa me “puxou” para adentrar a ruazinha modesta, agora tão diferente de tudo que posso lembrar.
Confesso que me emocionei muito à medida que fui andando e olhando atentamente as fachadas das casas, como se no momento tivesse uma segunda visão de tudo, de como eram, para me transportar ao tempo que ali vivi.

Acreditando que isso mesmo aconteceu por alguns instantes, de repente me vi em meio as brincadeira de infância, sentindo a presença de todos aqueles que fizeram parte do meu começo de vida, como as minhas primeiras companheiras de jornada das famílias, Nunes, Mendonça, Leal, pelas quais sinto grande apreço por tudo que curtimos juntas, nas brincadeiras de roda... Anel... baleô...esconde-esconde...e a convivência na mesma sala de aula, no mesmo colégio.
Não pude deixar de encarar a casa de número 17.
Ali eu nasci.

A casa estava com porta e janelas fechadas e em um minuto eu me perguntei se teria coragem de chegar mais perto se estivesse com porta ou janelas abertas, ou  alguém se fazendo presente no momento. 

Grande dúvida pairou em meu coração. Preferir não responder no momento. Voltei toda á atenção para não perder o foco, e achei melhor deixar crescer, o que já tinha nascido no meu coração, à vontade de assim fazer.

Lembrei-me da alegria e o companheirismo dos camaradas do meu velho pai, por nomes, Rafael, Jobar, Marialvo, Rubens, eles que abrilhantavam e promoviam as festas juninas que eu tanto gostava e vivia intensamente.  Já tive oportunidade de falar em outras postagens.

Sinto saudades de tudo... Mesmo também tendo que me  lembrar das lutas diárias e os conflitos em família.
Pensar em tudo que me aconteceu e manter em minha mente e coração é transforma uma simples lembrança em um momento grandioso de devolver a vida a tudo que eu vivi.
Estou alimentando a coragem de voltar por lá.  Espero contar em breve espaço de tempo essa nova experiência. 

Um dever a ser cumprido

É angustioso só em pensar que apesar da obrigatoriedade ser a voz da minha consciência, a situação tende a se repetir agora impregnada de sentimentos misturados e diferentes.

A revolta cede o lugar a tristeza, não por ter que enfrentar mais uma tempestade, nem atravessar um deserto escaldante, não... mas por sentir e ver que mais uma vez, o meu veleiro no porto seguro de minhas emoções,  esteja contido pela âncora do medo e da gratidão.

O meu peito se enche em um primeiro momento procurando o ar do clamor, do grito, do choro, ao mesmo tempo em que busco palavras perdidas atribuladas nos meus pensamentos que vão se misturando, mas quando a alma ajoelha-se diante do tempo vivido, me faz levantar mais sabiamente amparada pela vontade de superar os limites do meu corpo, retomando a missão em que me foi confiada, mesmo sabendo que o que há de vir e fazer são deveres a ser cumpridos.
Sinto medo pelo meu futuro.

E pensar que Eu rascunhei minha vida no papel do tempo sem saber se ele me deixaria passar a limpo.
Ah! O veleiro... Com certeza vai estar lá e vai criar asas ao longo do tempo de espera, para velejarmos juntos no céu quando disser e quiser. É agora....

Vou estar pronta.